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“Semanas anteriores ao Natal devem ser para os católicos um tempo para purificar a fé”, diz papa

O Papa Francisco disse no último 2 de dezembro, no Vaticano, que as semanas anteriores ao Natal devem ser para os católicos um tempo para “purificar a fé”, preparando a celebração do nascimento de Jesus. A exortação ocorreu durante a homilia da Missa que presidiu e foi divulgada pelo portal ‘Vatican News’.

Francisco ressaltou que a primeira dimensão do Advento, o tempo litúrgico que começou no primeiro domingo deste mês, é o passado, “a purificação da memória”: “Recordar bem que não nasceu a árvore de Natal”, que certamente é um “belo sinal”, mas recordar que “nasceu Jesus Cristo”.

“Sempre teremos em nós a tentação de mundanizar o Natal, mundanizá-lo, quando a festa deixa de ser contemplação – uma bela festa de família com Jesus no centro – e começa a ser festa mundana: fazer compras, presentes, isto e aquilo… e o Senhor permanece ali, esquecido. Inclusive na nossa vida: sim, nasceu, em Belém, mas… O Advento serve para purificar a memória”, precisou.

O Papa declarou ainda que o tempo do Advento, a preparação para a celebração do nascimento de Jesus, propõe ainda uma reflexão sobre “o encontro definitivo com o Senhor”. A Igreja Católica assinalou, no dia 2 de dezembro, o início de um novo ano no seu calendário litúrgico, que começa com o Advento, que compreende os quatro domingos anteriores ao Natal.

As três primeiras semanas, que recordam especialmente a segunda e última vinda de Cristo à Terra, esperada pelos cristãos para o fim dos tempos, tornam o Advento num tempo penitencial marcado pelo convite à vigilância, arrependimento e reconciliação com Deus.

A partir de 17 de dezembro a liturgia adventícia, pautada pela cor roxa, acentua a festa do nascimento de Jesus, o Natal, que os católicos assinalam a 25 de dezembro. As leituras bíblicas proclamadas nas missas evidenciam as figuras bíblicas do profeta Isaías, de João Batista, precursor de Cristo, e de Maria, mãe de Jesus.

As manifestações do Advento, palavra de origem latina que significa “vinda” ou “chegada”, expressam-se na coroa de ramos verdes com quatro velas, que se acendem aos domingos, bem como na armação do presépio, entre outras práticas.

 

FONTE: CNBB.ORG.BR

Advento: tempo especial de abrir o coração das crianças ao nascimento de Jesus Cristo

As histórias desta época do ano exercem um fascínio especial sobre as crianças. Trata-se, portanto, de um período fértil que a Igreja pode aproveitar para a iniciação das crianças à vida cristã. O arcebispo de Maringá (PR) e presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança, dom Anuar Battisti, reforça que as crianças devem ser envolvidas nas atividades da Igreja desde pequenas, durante todo o ano e especialmente neste período.

Na catequese, por exemplo, segundo o padre Antônio Marcos Depizzoli, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), todos, em particular as crianças, têm o direito de fazer experiência da singeleza, da humildade, da fraternidade, da generosidade a que o tempo do Advento convida.

“Com iniciativas simples, família, catequese e comunidade podem comunicar o verdadeiro sentido do Advento. Participação na Santa Missa, oração e momentos catequéticos em família, novenas em pequenos grupos permitem alargar nossa compreensão de que na gruta de Belém nasceu Jesus, em quem somos todos irmãos”, sugere.

O padre reforça que o Diretório Nacional de Catequese, números 120 e 121, ensina que a catequese como educação da fé e a liturgia como celebração da fé são duas funções da única missão evangelizadora e pastoral da Igreja. “A catequese litúrgica explica o conteúdo das orações, o sentido dos gestos e dos sinais, educa à participação ativa, à contemplação e ao silêncio”, reforça.

Pequenos Reis Magos – A Pastoral da Criança promove, durante o Advento, em parceria com a Catequese, a Campanha dos Pequenos Reis Magos. Trata-se de uma ação realizada por crianças e adolescentes que, levando à frente a estrela de Belém, marcam as casas por onde passam com a sigla “C+M+B” (em latim: Christus Mansionem Benedicat, que em português significa: “Cristo abençoe este lar”).

A campanha tem como objetivo levar a mensagem de paz do Evangelho e angariar recursos para salvar vidas através de ações da Pastoral da Criança em alguns dos países mais pobres do mundo, bem como despertar a solidariedade e o espírito missionário dos brasileiros.

“Mais que o resultado financeiro, podemos ver o envolvimento das paróquias, das comunidades e a alegria das crianças em poder estar ajudando crianças de outros países, que elas não conhecem. Vemos isso pelo depoimento delas. Crianças ajudando crianças é a maior alegria e satisfação de uma campanha dessas”, disse dom Anuar.

Segundo o assessor da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, o tempo litúrgico do Advento é oportunidade para o exercício da espera vigilante do Senhor que vem. “É tempo de abrir o coração para a beleza do Mistério da Encarnação. Muitos dos sinais desse tempo, a Coroa do Advento, a cor litúrgica, as personagens bíblicas… colaboram para nos ajudar a entender que o sentido maior do Advento está em preparar-se para celebrar o nascimento de Jesus”, reforça.

 

Fonte: CNBB.ORG.BR

As características da Misericórdia a partir do encontro de Jesus com a mulher pecadora (Lucas 7,36-50)

As características da Misericórdia a partir do encontro de Jesus com a mulher pecadora (Lucas 7,36-50)

A misericórdia muitas vezes definida como o olhar amoroso de Deus para conosco, tem na narrativa do evangelho de hoje alguns traços bem simples e profundos.

A misericórdia em torno de uma mesa: a descrição de um jantar, no qual Jesus é convidado, manifesta o sinal do grande banquete, a última ceia, onde vemos a instituição dos sinais eucarísticos e misericordiosos do corpo e sangue de Cristo oferecidos pela remissão dos pecados.

A misericórdia como um sinal de aproximação:o pecado nos leva a esconder-se do Ser Divino. A mulher intitulada e rotulada, age primeiramente por detrás, pela insegurança da condição já tão marcada na sua consciência. Chega por detrás, mansa, esperançosa, sem ritualismos, sem regras e coloca-se numa atitude prática, banha os pés de Jesus com suas lágrimas.

A misericórdia expressão de um coração que derrama em lágrimas:Quando pecamos ferimos a unidade e a comunhão com Deus, com a Igreja, com os irmãos e irmãs. Ferimos o coração. O choro desta mulher pecadora, revela duas características: o arrependimento e o desejo de nascer de novo. É expressão de sua alma, da sua consciência, do seu coração, que ao banhar os pés do Mestre, recorda, que ali, está um peregrino da Misericórdia divina. Aquele que caminha levando a paz. As lágrimas podem ainda recordar todo o sentido batismal, que lava, purifica. Somos perdoados do pecado original quando somos batizados.

A misericórdia é enxugar as lágrimas:No caminho do calvário Verônica enxuga o rosto de Jesus e ele consola as mulheres de Jerusalém. Enxugar, é muito mais do que passar uma toalha, os cabelos. É estender algo, uma tolha, um lenço, as mãos, os cabelos, para estancar aquilo que jorra decorrente de um esforço, de um ferimento. Enxugar as lágrimas, é sentir que o pecado dói, mas nos pés daquele que anuncia, encontra-se o consolo.

A misericórdia é o beijo amoroso que vem dos lábios de Deus:Certamente quando falamos do beijo associado ao pecado, lembramos daquele dado por Judas, como sinal para entregar Jesus. Nesta mulher até então tida como pecadora, há um outro sentimento neste beijo, não de traição, mas de conforto, de amor, de esvaziamento da consciência. Ao iniciar e terminar a missa, o padre beija o altar, no contato dos seus lábios com a mesa eucarística, expressa a misericórdia divina vivida e transmitida na ritualidade da missa a ser celebrada. Ao terminar o evangelho, beija o livro, como que aquelas palavras, tornem-se sinal de vida e misericórdia na vida de cada um.

A misericórdia é uma unção perfumada:o caminho misericordioso da realidade divina se manifesta no mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Aquele corpo desfalecido, entregue aos braços de Maria, depositado num sepulcro, preparado conforme os costumes da época, recebe também a unção. Deixar-se ungir, é lembrar mais uma vez, a característica batismal: que o Cristo Salvador, penetre em sua vida como este óleo em seu peito. Na experiência do bom samaritano, o homem caído nas mãos dos assaltantes, recebe o remédio, tendo suas feridas ungidas. Assim é esta mulher, herdeira da misericórdia, tem no olhar e nas palavras de Cristo, o seu coração ungido.

A misericórdia é experimentada quando sentimos que estamos em torno de uma mesa, na qual como um sinal de aproximação oferecemos ao Cristo nossas lágrimas, damos lhe os beijos da reconciliação e deixando que Ele aplique a unção e revigore nosso coração, para então, levantarmos e ouvirmos: Tua fé te salvou. Vai em paz.

Padre Kleber Rodrigues da Silva

Os cristãos leigos e leigas

Dom Sérgio Aparecido Colombo 
Bispo de Bragança Paulista

Irmãos e Irmãs!

É sempre com alegria e com sentimentos de profunda admiração que falamos dos cristãos leigos e leigas que, na corresponsabilidade eclesial, na família, no trabalho e na sociedade, dão testemunho do Evangelho. O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium – sobre a Igreja –  no capítulo IV, os apresenta como “… congregados ao povo de Deus e constituídos num só Corpo de Cristo sob uma só cabeça. Batizados e confirmados na fé, participam da missão salvífica da Igreja. Alimentados pelos sacramentos, mormente a Eucaristia, vivem o seu apostolado e tornam a Igreja presente e operosa, naqueles lugares e circunstâncias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra…” (n. 33).

É nesse sentido que compreendemos o seu protagonismo – protagonismo dos leigos e leigas. O Cardeal dom Aloísio Lorscheider afirmava que o protagonista é o que ocupa o primeiro lugar num acontecimento. O Papa, hoje beato Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi – A evangelização no mundo contemporâneo – ao tratar dos obreiros da evangelização, define o campo próprio da atividade evangelizadora dos leigos e leigas, como sendo o “mundo vasto e complicado da política, da realidade social, da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação e ainda outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento…”(n.70).

Assim, os cristãos leigos e leigas, pela sua índole secular, são os que garantem pela sua presença no mundo – pelo seu protagonismo, em primeira linha e em primeiro plano – a PRESENÇA EVANGÉLICA. É para dentro do mundo que são chamados a exercer o seu ofício próprio, como obrigação, como dever de estado. Não se trata de uma concessão da Igreja, mas do fato de ser Igreja.

Nossas paróquias, em suas ações pastorais e evangelizadoras, nos grupos, movimentos e novas comunidades, promovam os leigos e leigas, livres de todo clericalismo e sem redução intraeclesial como pediu a Conferência de Santo Domingo em 1992. Num laicato bem estruturado, maduro e comprometido, com formação permanente, está o sinal de que as Igrejas levam a sério o compromisso da nova evangelização que ocupou o lugar de preminência no pontificado de Bento XVI. São os cristãos leigos e leigas que estão mais aptos para “modificar pela força do Evangelho, os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as forças inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (EN, n. 19).

Com eles, numa adequada autonomia e organização, uma vez que são SUJEITOS ECLESIAIS, sejam constituídos em nossas paróquias os Conselhos de Leigos, sobretudo para a dinamização da ação pastoral e administrativa.

Ao propor a celebração do ANO do LAICATO, que terá início na solenidade de Cristo Rei do Universo deste ano e se estenderá até a mesma solenidade  de 2018, a Igreja no Brasil, através dos seus pastores, compromete-se a acolher e colaborar para que se firme sempre mais o que são os leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: “Sal da terra e Luz do  mundo” ( Mt 5, 13-14), “confiando-lhes responsabilidades e ministérios; escutando os seus apelos e os seus gritos silenciosos; reconhecendo-os em suas reais situações como faziam os apóstolos (2Tm 4, 19-21); apoiando-os em sua formação e organização próprias e sofrendo juntos as angústias e partilhando as esperanças da ação evangelizadora”( Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – “Sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14), doc. 105 da CNBB, n. 283.

Sob o olhar de Maria, mãe de Jesus, mãe da Igreja, “estrela da evangelização”, bispo, presbíteros, diáconos, religiosos(as), seminaristas, animadores de grupos e comunidades, coordenadores de atividades pastorais e todo o povo dos batizados – cristãos leigos e leigas – cultivemos a espiritualidade missionária para uma Igreja missionária, Igreja em saída” como pede o Papa Francisco, expressando sempre a comunhão e a corresponsabilidade, capazes de manter viva a nossa vocação cristã: AMAR e SERVIR.

 

Fonte: http://www.cnbb.org.br/os-cristaos-leigos-e-leigas/

O sagrado direito ao descanso

Fonte: CNBB

 

Na tradição judaico-cristã o repouso semanal é tão importante que adquire valor sagrado, pois sua origem não é humana, mas divina. São João Paulo II na carta apostólica Dies Domini – O Dia do Senhor – de 31 de maio de 1998 reaviva para os cristãos católicos o sentido e a importância do domingo. Partilho alguns ensinamentos desta carta para enriquecer a reflexão.

Na primeira página da Bíblia, Deus aparece como exemplo de “trabalho” e também de “repouso” para o homem. Lançou “um olhar contemplativo, que visa a novas realizações, mas sobretudo a apreciar a beleza de quanto foi feito; um olhar lançado sobre todas as coisas, mas especialmente sobre homem, ponto culminante da criação” (nº 11). A contemplação gera admiração e ajuda a libertar de interesses utilitários.

Ligado a este “descanso” divino da criação está o preceito do descanso no sábado como recordação de uma época que não deveria voltar. “Lembra-te de que foste escravo no Egito, mas o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão forte e braço estendido” (Dt 5,15). No pentateuco desenvolve-se uma legislação religiosa-civil sobre o descanso para proteger os mais fracos e colocar limites na ganância. ”Seis dias trabalharás e no sétimo descansarás, para que descansem também o boi e o jumento, e possam tomar fôlego o filho de tua escrava e o estrangeiro” (Ex 23, 12).

Na tradição cristã acontece a passagem do sábado ao domingo. O governador romano da Bitínia, Plínio o Jovem, no início do segundo século, escrevia ao imperador dizendo que os cristãos “se reúnem num fixo, antes da aurora, para entoarem juntos um hino a Cristo, como a um deus”. No século V escrevia o papa Inocêncio I: “Nós celebramos o domingo, devido à venerável ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo”. Testemunha um costume já consolidado originado pela Páscoa cristã que unânime testemunha que foi neste dia, o “primeiro dia depois do sábado”, que Jesus ressuscitou.

Durante séculos os cristãos viveram o domingo apenas como um dia de culto, um dia de celebração, em especial da celebração da Eucaristia. O imperador Constantino decreta no ano 321: “Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol”. Desde o ano 312 ele estava se aproximando do cristianismo certamente por influência da mãe Santa Helena e por razões políticas e religiosas, mas só recebeu o batismo em 337 no leito de morte. Por isso, são discutíveis as reais motivações de Constantino para estabelecer um dia de descanso no Império Romano, independente das razões o fato é que introduziu um dia de descanso semanal. O dia escolhido para o descanso foi o dia do “Sol” que coincidia com o dia que os cristãos se reuniam, depois denominado de domingo. Aos poucos, o dia de descanso foi se expandido pelo mundo.

O papa Francisco na carta encíclica Laudato Sí, numa perspectiva de ecologia integral e cuidado da criação, inclui o tema do direito ao descanso. “Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo.” O domingo por ser dia da ressurreição, é o primeiro da nova criação, integra na espiritualidade cristã o valor do repouso e da festa; a ação humana é preservada do ativismo e da ganância desenfreada e da busca apenas do benefício pessoal. “O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros” (LS 237).

Creio na Igreja

Fonte: CNBB

A Igreja tem estado na berlinda de discussões e até contestações. Geralmente, essas partem de uma compreensão insuficiente da natureza e da historicidade da Igreja de Cristo. Não admira que assim aconteça, uma vez que ela, no dizer do Concílio Vaticano II, é um “mistério” (cf LG 1), no qual convivem o divino e o humano, o visível e o espiritual, o pecado e a santidade. A Igreja será sempre “sinal de contradição” e ninguém, com uma afirmação ou uma negação, conseguirá dizer tudo sobre ela.

De qual “Igreja” estamos falando? Existem muitas Igrejas que se refazem a Jesus Cristo e, de alguma forma, se inserem na continuidade da missão que Jesus confiou aos apóstolos. Há uma longa discussão sobre a autenticidade de cada uma delas e sobre a medida em que cada uma é fiel ao ensinamento dos apóstolos e o comunica integralmente. Aqui nos referimos à Igreja Católica Apostólica Romana que, apesar de todos os problemas enfrentados ao longo de dois mil anos de história, permanece fiel a Jesus Cristo e ao ensinamento dos apóstolos.

Uma das questões mais problemáticas em relação à Igreja é a afirmação de que Cristo não fundou a Igreja, mas apenas anunciou o Evangelho. A fundação da Igreja teria acontecido depois de Cristo, pela ação dos apóstolos, ou ainda posteriormente a eles. Se isso fosse verdadeiro, estaria afirmada imediatamente uma descontinuidade entre Jesus e a Igreja e se justificaria a instituição de várias Igrejas, já na época apostólica. Ora, isso não se confirma no Novo Testamento. Pelo contrário, Jesus quis a Igreja e deixou clara a sua intenção sobre a existência e a missão dela.

Jesus reuniu discípulos e, entre eles, escolheu os apóstolos, preparando-os para a missão que lhes confiaria depois. Enviou-os para anunciarem o Evangelho, fazerem discípulos e realizarem gestos de salvação com a autoridade dele. Nas palavras da última ceia, Jesus encarregou os apóstolos de continuarem a fazer o que ele mesmo fez; na promessa de assistência do Espírito Santo a eles, nas palavras dirigidas a Pedro, confiando-lhe uma missão especial no grupo dos apóstolos e em vários momentos de sua vida, e após sua ressurreição, fica claro que Jesus quis que sua missão continuasse de forma organizada através dos discípulos. E lhes prometeu que ele próprio permaneceria para sempre com eles, tornando sua ação eficaz mediante a ação do Espírito Santo. É impensável que Jesus não tivesse a intenção de fundar a Igreja para a continuidade de sua própria ação e missão.

Mas também está claro que não se encontra um ato formal de fundação da Igreja no Novo Testamento. E ninguém pretenda encontrar uma espécie de ata de fundação da Igreja em algum cartório daquela época… A Igreja teve início com os elementos essenciais que a caracterizam na sua vida e missão. Os demais aspectos, como a sua estrutura visível, a definição pormenorizada e clara de sua doutrina, a sua liturgia e sua legislação interna, foram sendo definidas aos poucos, ao longo da história e ainda vão se explicitando, como a sua doutrina moral diante de questões novas. Mas, desde o início, era claro para todos que a Igreja está intimamente unida a Cristo e sua pregação e doutrina nunca devem entrar em contradição com o ensinamento dos apóstolos. As comunidades cristãs primitivas não punham em discussão, se Jesus queria a Igreja, ou não queria. Essa é uma discussão dos tempos modernos e contemporâneos e seu objetivo final é separar Cristo da Igreja e desautorizar a Igreja de se apresentar e falar em nome de Jesus Cristo. Se Cristo não tivesse instituído a Igreja, estaria aberto o campo para que cada um instituísse uma Igreja diferente, conforme seu projeto pessoal.

Outra coisa é questionar, se a Igreja ainda continua a ser aquela que Jesus quis. Este questionamento é possível e até saudável, pois leva a refletir seriamente sobre as características essenciais da Igreja de Cristo e a nos confrontar com elas. Desde logo, podemos lembrar que a Igreja, enquanto caminha neste mundo, está chamada a um processo contínuo de conversão a Cristo e de fidelidade a ele. Nossas maneiras históricas de ser a Igreja de Cristo deixam muito a desejar e devemos buscar o aprimoramento de nossa vida pessoal e eclesial. Por essa razão, a mesma Igreja nos recorda constantemente os chamados à conversão e à fidelidade ao Evangelho no seguimento de Jesus Cristo.

Mesmo assim, e apesar dos defeitos humanos da Igreja, ela não deixa de ser a verdadeira Igreja de Cristo. Desde os tempos apostólicos, sabemos que todos os membros da Igreja são chamados à vida santa e a contribuírem com suas capacidades e dons para a edificação do “corpo de Cristo” na caridade (cf 1Cor.12,12ss).

A Igreja de Cristo é pecadora pelo nosso lado. Porém, ela é santificada pelo Espírito Santo, que a habita, anima e conduz na fidelidade a Cristo e na fecundidade de sua missão. Somos um povo de santificados pela graça do Espírito Santo, no Batismo, chamados a ser santos na vida pessoal.

Escolhas que Deus faz

Fonte: CNBB

Dizemos que Deus escolheu um povo para ser o seu “povo eleito”. Mas a escolha não ficou restrita e hermética nesse ambiente. Os pagãos, os chamados gentios também eram povo de Deus, mesmo vivendo numa cultura de politeísmo, de adoração a deuses inexistentes. Quem mais se aproxima de Deus e cria intimidade com Ele deve agir como testemunha de fidelidade aos seus ensinamentos.

O grande escolhido de Deus é Jesus Cristo, que veio, não para instituir uma empresa de negócios, mas uma Igreja onde deve reinar a fraternidade, o amor e a convivência. Nela não deve existir quem manda e quem obedece, mas sim funções diferentes de acordo com a vocação recebida, para o bem da coletividade. À Igreja é confiada a missão primordial de anunciar o Evangelho do Reino.

A Igreja é espaço de vida comunitária, onde os diferentes devem ser capazes de conviver fraternalmente. É inadmissível espaço para a exclusão, mas sim local de compromisso e de participação com responsabilidade. Ainda há comportamentos que não condizem com os reais ensinamentos da vivência cristã. Isso é sinal evidente de que os diferentes não são tratados com caridade e amor fraterno.

Em todos os tempos aparecem grupos que participam da vida de Igreja, mas agem com autoritarismo e se acham os únicos conhecedores da verdade e procuram impor seus próprios critérios. Parece que isso não ajuda na trajetória cristã, e causam divisões, dificultando a eficácia do anúncio da Palavra. É uma diversidade que não consegue enxergar a riqueza presente nos diferentes.

Os ensinamentos de Jesus Cristo têm uma universalidade, porque Deus não faz nenhuma acepção de pessoas e nem é excludente. Todos nós somos criados à sua imagem e semelhança, mas temos que agir com atos de responsabilidade. Em cada ser humano que ama, porque foi criado com capacidade para amar, está o lugar da presença de Deus no mundo.

Nas escolhas feitas por Deus podemos enxergar a riqueza da diversidade entre os humanos. Parece que existem preferências que nem conseguimos entender. Digo isto porque muitos cargos e funções são colocados nas mãos de pessoas despreparadas e com poucos dons para o exercício da missão. Dizemos o ditado: “Deus não escolhe os capacitados, mas Ele capacita os escolhidos”.

Uma só língua

Fonte: CNBB

A bíblia narra a história da torre de Babel. Nela vem apresentada a vontade de o ser humano se unir para chegar ao céu e dominar tudo como tivesse o poder divino. Mas, com esse intento, o ser humano erra e se desentende, não conseguindo realizar seu projeto de dominação (Cf. Gênesis 11,1-9). Apoderar-se do divino sem seu poder leva a humanidade a viver em verdadeira confusão. Só um homem é Deus, o Filho dele. Provou-o sua ressurreição. Andando como e com Ele aprendemos a falar, mesmo com línguas ou realidades diferentes, a linguagem que nos leva à união e a divinização do humano na caminhada neste planeta. Só com a linguagem do amor é que vamos nos entender para nos ajudarmos mutuamente e, assim, construiremos uma sociedade mais justa.

A ação do Espírito Santo inundou os discípulos de Jesus no dia de Pentecostes, para eles superarem o medo e se encherem de entusiasmo para propor a todos o caminho que leva ao entendimento, à promoção da justiça e da solidariedade. Esse mesmo Espírito atua em pessoas do bem, que ajudam a humanidade a ter o coração compassivo e disponível, com a humildade de saberem que são instrumentos de Deus para a promoção do bem comum. O esforço para a superação das rivalidades, dos ódios e dos mecanismos de morte faz com que muitos se coloquem em ações de real serviço aos mais frágeis e carentes de promoção e superação de seus males.

O apóstolo Paulo mostra a realidade humana que vive como em dores de parte, devido aos males causados pelo pecado e toda a maldade na convivência social (CF. Romanos 8,22-14). De fato, as armas feitas para as guerras e mortes, o flagelo da forme de um quarto da humanidade, assassinatos e mortes no trânsito aos milhares, exclusões sociais aviltantes, corrupção bastante ampliada e outros males só podem ser combatidos e superados com a consciência do verdadeiro amor trazido pelo Filho de Deus e inoculado nos corações pelo Espírito Santo. Quem tem sinceridade de coração e coopera com a ação desse Espírito fala a linguagem do Cristo e colabora com o entendimento e promove a solidariedade humana, superando a Torre de Babel.

Usufruimos da água da fonte de Cristo (Cf. João 7,37-39) quando nos deixamos impulsionar por seu amor, na atitude de quem se embebe do líquido santo da compaixão, da vontade de ser canal de condução da verdade, do caminho e do amor dele para ajudar quem precisa de compreensão, de justiça e de paz.

Muitos complicam a convivência devido a seu fechamento em si mesmo e falta de altruísmo e sensibilidade em relação às carências do semelhante. A linguagem do amor nos torna mais felizes por sabermos viver com mais riqueza de doação. É mais fácil convivermos no entendimento do que na rispidez e fechamento em relação aos outros. Basta experimentarmos ser mais solidários para percebermos que somos mais felizes em dar do que em só querer receber!

Amorização que nos salva

Fonte: CNBB

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, realizada este ano, de 13 a 20 de maio, sugere uma compreensão humanizadora do cristianismo. Seu lema, “A mão de Deus nos une e liberta” (Ex 15,1-21), inspira-se em um dos paradigmas fundantes da cultura judaico-cristã, que é a libertação dos escravos hebreus no Egito, ocorrida há cerca de 3500 anos.

Outrora, por “intervenção de Deus”, Moisés liderou a organização e a luta desse povo oprimido. A identidade libertadora de Deus se manifestou, desde então, no estilo solidário de vida, na conquista da terra prometida, na atuação dos profetas e na missão de Cristo, o Verbo encarnado (cf. Lc 4,16-21), que se fez libertador pleno e definitivo.

Para cumprir sua missão libertadora, Jesus assumiu a “condição de escravo” (cf. Fl 2,5-11), adentrando a realidade de morte gerada sobretudo pelo trabalho opressor, para resgatar os oprimidos e dar-lhes vida. Ele próprio disse: “O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Em Jesus, Deus não assumiu natureza humana abstrata, mas realidade concreta de trabalhador. Jesus foi um trabalhador manual (Tektōn, em grego; traduzido por carpinteiro, cf. Mc 6,3) identificado, portanto, com trabalhadores comuns. Seu “trabalho” evoluiu, por meio de sua “vida pública”, para a “obra” que o Pai lhe confiou. Ele assumiu-a até o fim (cf. Jo 17,4).

Sua doação total para a salvação da humanidade, tornou-se missão contínua, confiada aos seus discípulos, a quem comunicou seu Espírito livre e libertador. Reunidos amorosamente em oração, 50 dias após a páscoa, o Espírito Santo prometido por Jesus se manifestou em seus corações, dando início definitivo à Igreja, na forma de Povo de Deus em missão no mundo.

Desde então, o cristianismo estimulou movimentos libertários e continua inspirando as libertações sempre necessárias, afinal os seres humanos tendem a reproduzir modelos escravizantes de vida, tais como ocorreram no Brasil colonial e imperial, e continuam ocorrendo, hoje, sob a forma neoliberal, submetendo-nos ao poder do grande capital, especialmente financeiro.

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”. Esse pensamento de Simone de Beauvoir, filósofa existencialista francesa, do século passado, aponta para a necessária consciência crítica dos próprios cristãos a respeito dos mecanismos de dominação existentes nas relações interpessoais e sociais.

Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, somos, portanto, convidados a projetar nossa vivência de modo amplamente ecumênico, fruto de diálogos que propiciem ações comuns especialmente pela paz, pelo fim de condições geradoras de pobreza e pela preservação integral da vida, contrapondo-nos ao rolo compressor de medidas econômicas neoliberais.

Recusemos, pois, pensar com a cabeça de quem nos divide para nos dominar, joguemos fora as armas ideológicas com as quais nos destruímos mutuamente, fixemos nossos olhares em nosso potencial de unidade, cultivemos nossa fé em Deus que nos une e liberta, avançando sempre mais em direção à amorização que nos salva.

Videira, ramos e agricultor

Fonte: CNBB

Neste quinto domingo da Páscoa o Evangelho da santa Missa é de João 15,1-8 que relata Jesus falando mais uma vez a seus discípulos em discurso interpretado pelos biblistas como “Discurso de Despedia” antes de voltar ao Pai. E, como sempre o fazia para ser bem compreendido, usando imagens e figuras, falava nesta vez se utilizando da comparação com a videira, os ramos e o agricultor a fim de transmitir mensagem importante.

Jesus mesmo se apresenta como videira verdadeira, vós sois os ramos e o Pai é o agricultor. Em outras palavras, nesta ou desta videira Jesus é o tronco, o povo de Deus são os ramos e o agricultor é o próprio Deus. Jesus tira dessa comparação o que, segundo Ele, é importante que tenhamos presente na nossa vida. Duas ideias sobressaem: permanecer ligado a Jesus e produzir frutos.

Jesus diz: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”. O ramo unido ao seu tronco recebe dele a seiva da vida que o sustenta vivo e capacitado a produzir fruto. Assim o discípulo necessita estar vitalmente unido a Jesus para receber a seiva da graça divina que vem dele, a qual, primeiramente, o sustenta cheio de vigor vital, não seca nem morre. Conclusão para nós: Sem Jesus não podemos nem ser nem existir nem viver, ao contrário tornar-nos-emos folhas secas e mortas.

Depois, Jesus diz ainda aos discípulos: “Se não permanecerdes em mim, vós não podereis produzir frutos, assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo”. Por conseguinte, também nós não poderemos produzir os frutos do Reino, frutos de justiça, paz e bem, se não permanecermos em Jesus e Jesus em nós. Jesus, com palavras definitivas, afirma categoricamente: “Sem mim nada podeis fazer”.

E Jesus acrescenta, dizendo: “Meu Pai é o agricultor”. O Pai ama a videira, cuida dela e o que mais deseja é que produza frutos. O Criador ama as suas criaturas e para todas destina uma missão. A missão da videira é produzir uvas, boas uvas, de cepas variadas, cores, odores e sabores diversos, para alimento e produção de vinhos generosos com o objetivo inclusive de “alegrar o coração de homens e mulheres”. Por isso, Jesus explica que o Pai, que é o agricultor, “corta todo ramo que nele não dá frutos; e ele limpa e poda todo ramo que dá fruto, para que dê mais fruto ainda”. Os ramos secos, porém, são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Aplicando aos discípulos, todo o que não permanecer em Cristo secará e tal como todo ramo seco será lançado fora, pois para nada mais serve senão para ser queimado. Jesus, que se dirigiu aos discípulos de ontem, dirige-se aos de hoje com esta mesma chamada: “Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado”. E, por fim, conclui este seu segundo Discurso de Despedida, acrescentado: “Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”.

Se permitirmos que a Palavra de Deus na mensagem do Evangelho de hoje permaneça em nós, então, viveremos unidos a Jesus como ramos à videira, seremos qual ramos limpos e podados pelo Pai para produzir frutos de louvor e glorificação de Deus e de abundantes bens para nós e para todos os outros.

Supliquemos a Deus que a nossa Igreja viva em paz e produza o bom fruto da paz, progredindo no temor do Senhor e crescendo em número com a ajuda do Espírito Santo, como nos primórdios da missão, conforme nos relatam os Atos dos Apóstolos que estão sendo lidos também nas Missas deste Tempo Pascal.

Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso
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